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Juan Rulfo | Carlos Fuentes « Voltar    
 
       Nasceu na Cidade do México em 1914. Cursou estudos de direito na Universidade Nacional autônoma do México e estudos especializados de literatura, no México, Estados Unidos, Paris e Japão.
       Fez parte da geração de Taller, um dos movimentos literários mais importantes do México.
       Em 1945 ingressou no serviço de diplomacia mexicano. Residiu em Paris, participando do movimento surrealista, e logo depois no Japão e na Índia. Renunciou em 1968, em sinal de protesto ao massacre da Praça das Três Culturas (Tlateloco), quando o governo mexicano reprimiu à bala manifestação estudantil durante os jogos Olímpicos.
       Era um homem polêmico e, sobre tudo, o centro de sua obra é ocupado por um gênero nada popular, a poesia. Ainda assim seu peso era sem rival, primeiro em seu prórpio país, o México, onde desfrutava vitaliciamente de uma virtual presidência paralela, tamanha era sua influência, e em seguida, no resto do mundo. 
 
        Foi influenciado de início pelo renascimento da poesia hispânica que, conhecido como "modernismo", principia com Ruben Darío e culmina da Geração de 27, cujo nome mais famoso é o de Garcia Lorca. Paralelamente ele se deixou contagiar pelo surrealismo francês. Militante de esquerda naquele tempo, tomou parte na Guerra Civil espanhola e, de volta ao seu país, conviveu com poetas espanhóis, como Luis Cernuda, que lá buscaram refúgio após a derracada da república. Em torno de sua obra encontram-se também influências diversas como do Marxismo, Surrealismo, Existencialismo, Budismo, Hinduismo e do Modernismo franco e anglo americano
        Publicou mais de 20 livros de poesia e inumeráveis ensaios de literatura, arte, cultura e política, desde "Luna Silvestre", seu primeiro livro, de 1933. Foi um dos intelectuais mais importantes do México e um dos maiores poetas do mundo. Juntamente com Pablo Neruda e o extraordinário César Vallejo, é um dos grandes poetas latino-americanos cuja obra teve um forte impacto internacional.
        Muitos de seus poemas são baseados em pinturas de Joan Miro, Marcel Duchamp, Antonio Tapies, Robert Rauschenberg e Roberto Matta. Sua escrita, frequentemente, lida com oposições, paixão e razão, sociedade e indivíduo, trabalho e sentido. Como ele mesmo disse: "A imagem poética é o encontro de realidades opostas"
        Em 1990 recebeu o prêmio Nobel de Literatura.
        Morreu na Cidade do México, em Abril de 1998.
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       A obra escrita de Juan Rulfo é, sem dúvida, uma das mais influentes na literatura contemporânea da América Hispânica. Sua obra está complementada por um trabalho fotográfico menos conhecido mas não menos importante. Suas imagens nos permitem conhecer tudo aquilo que é evocado pelos seus textos.
       Suas imagens tratam dos "muitos Méxicos" que há no próprio país e ao mesmo tempo os muitos mundos que passaram pelos olhos inquietos e únicos deste grande artista.
       Rulfo é um artista completo. Seu olhar nos torna mais próximos dos mundos que nos parecem distantes e nos permite a proximidade a pessoas e culturas diversas.
 
       As fotos de Juan Rulfo não podem ser consideradas como uma ilustração de seus escritos nem tampouco seus escritos podem considerar-se uma explicação de sua obra visual. Ambas falam de um México no meio do caminho entre a realidade e a alegoria poética.
       O romance "Pedro Páramo" de Juan Rulfo, é considerado um dos maiores, em qualquer idioma, um dos melhores de todos os tempos. Em 1955 não lhe faltaram elogios. Atualmente, Carlos Fuentes, espanta-se ao ler críticas que o julgam uma desordenada composição, com falta de unidade e de um tema central. A narrativa de Rulfo desconcertava aos críticos e leitores de romances "bem feitos", fiéis à lógica e sem qualquer mistério.
       Rulfo quer mostrar algo simples: que a criação literária pertence ao mundo plural e infinito da poesia. Não se pode julgá-la com o critério unilateral da lógica. Na lógica, os fatos tem somente um sentido. Na poesia, tem diversos sentidos.
       Este é o achado que separa Rulfo das categorias "realista", "naturalista", "documental" entre outros reflexos fiéis da realidade que a crítica mexicana de meados do século XX exigia.
       O caos saudável que produziu a obra de Rulfo não está no fato de que todos os elementos do romance realista tradicional mexicano estão ali, mas elaborados de uma maneira insólita, política e renovadora.
       Há um México de luz em Rulfo quando diz: "En la reverberación del Sol, la llanura parecía una laguna transparente, deshecha en vapores por donde se traslucía un horizonte gris. Y más alla, una línea de montañas. Y todavía, más allá, la más remota lejanía." (No reflexo do Sol, a planície parecia uma lagoa transparente, desfeita em vapores por onde se mostrava om horizonte cinza. E mais adiante, uma linha de montanhas. E porém, mais adiante o ponto mais distante).
       Há um México de fogo, sombrio: "Aquello está sobre las brasas de la turra, en la mera boca del Inferno. Con decirle que muchos de los que alli se mueren, al llegar al Inferno regresan por su cobija" (Aquele está sobre as brasas da terra, na boca do Inferno. É como dizer que muitos dos que ali morrem, ao chegar ao Inferno, retornam por sua cobiça).
       Seus personagens vêm de uma terra ácida, onde, de acordo com suas próprias palavras, tudo se dá, graças à Providência, mas tudo se dá com acidez. Por isso, de sonhos "benditos" e "malditos".
       As fotografias de Juan Rulfo parecem testemunhar, à primeira vista, por mais que retratem desertos, ruas de pedras e muros crus, uma maravilhosa transparência líquida, como se fossem retratos de água. É como se Rulfo se deixasse ver fora das tumbas de Comala para descobrir a luminosidade das sombras.
       Porém, esta beleza pura de luz e imagem de Rulfo não deve convidar-nos à passividade. Com ele sempre temos de estar alertas e questionarmos o porque de tanta calma, beleza e luz. Devemos procurar a inquietude que há por trás desta serenidade.

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       Junto com Octavio Paz, seu adversário político Carlos Fuentes é um dos escritores mais proeminentes da América Latina. Sua obra conquistou prêmios famosos, como o "Príncipe de Astúrias" e o "Prêmio Cervantes". É um escritor engajado por excelência e respeitado por todas as facções políticas de seu país. Sua obra inclui alguns clássicos latino-americanos, tais como "Gringo Velho", "A Morte de Artemio Cruz", "Diana" ou "A Caçadora Solitária", "La Raya del Olvido", "Fronteira de Cristal" e "A Laranjeira". Por ocasião do 5º centenário da América, escreveu um longo ensaio: "O Espelho Enterrado", onde pretendeu resumir a totalidade da arte-hispânica e colocá-la em pé de igualdade com a tradição anglo-saxã. Este ensaio deu origem a um documentário para a televisão produzido pela BBC de Londres. Acompanhe abaixo a cronologia dos fatos mais importantes da vida de Carlos Fuentes:
 
 
1928: Nasce, em 11 de Novembro, na Cidade do Panamá
1940 - 44: Após viver em diversas cidades do Continente Americano acompanhando seu pai, diplomata, publica, no Chile, seus primeiros artigos e relatos curtos no "Boletín del Instituto Nacional de Chile".
1947 - 49: Já no México, publica alguns relatos curtos nas revistas "Mañana" e "Ideas de México"
1950: Após ter começado a estudar direito na "Universidad Nacional Autónoma de México", completa seus estudos profissionais no "Institut des Hautes Études de Ginebra". Torna-se secretário da delegação mexicana na Comissão Internacional de Direito das Nações Unidas, ainda em Genebra. Neste mesmo país, em 1951, integra a delegação mexicana na Organização Internacional do Trabalho.
1954: Publica o primeiro livro, "Los Dias Enmascarados", de contos curtos.
1955: Funda e edita, com os escritores Emmanuel Carbalho e Octavio Paz, a "Revista Mexicana de Literatura".
1956: Torna-se membro do "Centro Mexicano de Escritores".
1957: Publica seu primeiro romance: "La Región Más Transparente".
1959: Publica o romance "Las Buenas Conciencias", casa-se com a atriz Rita Macedo, deixa o serviço diplomático e viaja para Cuba.
1962: Publica os romances: "A Morte de Artemio Cruz" e "Aura".
1964: Publica o livro de contos "Cantar de Ciegos"
1967: Publica os romances "Zona Sagrada" e "Cambio de Piel". Este último recebe o prêmio "Biblioteca Breve" da editora Seix Barral (Barcelona).
1968: Em Londres, publica os ensaios "París", "La Revolución de Mayo" e "Líneas para Adami".
1969: De volta ao México, publica o romance "Cumpleaños" e o ensaio "El Mundo de José Luis Cuevas". Divorcia-se de sua esposa.
1970: Escreve a peça "El Tuerto es el Rey".
1971: Publica o conjunto de ensaios "Casa Con Dos Portas" e escreve a peça "Todos Los Gatos Son Pardos". Suas duas peças são reunidas no livro "Los Reinos Originarios". Morre seu pai.
1972: Publica "Tiempo Mexicano", com escritos políticos. É nomeado membro permanente do Colegio Nacional de México.
1973: Casa-se novamente, com a jornalista Silvia Lemus.
1974: É nomeado embaixador do México na Frnaça, função que exerce até 1977
1975: Publica o romance "Terra Nostra", que recebe, no México, o prêmio "Javier Villaurutia". Participa como delegado da Conferência sobre Ciência e Desenvolvimento na Iugoslávia.
1976: Publica o ensaio "Cervantes O La Crítica De La Lectura". Dirige a delegação mexicana na Conferência para a Cooperação Econômica.
1977: Recebe o prêmio "Rómulo Gallegos" em Caracas, pelo romance "Terra Nostra". É membro do júri do Festival de Cannes.
1978: Em Princetown, publica o romance "La Cabeza De La Hidra".
1979: Recebe, no México, o prêmio "Alfonso Reyes", pelo conjunto de sua obra.
1980: Publica o romance "Una Familia Lejana" .
1981: Publica o romance "Agua Quemada".
1982: Lança a peça "Orquideas A La Luz De La Luna".
1984: Recebe o "Prêmio Nacional de Literatura de Mexico".
1985: Publica o romance "Gringo Velho" e o ensaio em inglês "Latin America: At War With The Past".
1986: Publica o romance "Cristóvão Nonato" e a coleção de ensaios em inglês: "Myself With Others".
1987: Recebe o prêmio "Miguel de Cervantes".
1988: Começam as filmagens de "Gringo Velho", com Jane Fonda e Gregory Peck. Recebe a "Ordem de Rubén Darío", na Nicarágua e a medalha do "Clube Nacional das Artes" em Nova York.
1989 - 96: Publica os romances "A Campanha", "Diana ou a Caçadora Solitária", "La Novia Muerta", El Baile Del Centenario" e "A Laranjeira". Este último trata da brutal conquista da América pelos espanhóis através do massacre das sofisticadas civilizações Maias e Astecas e o surgimento em seguida de uma cultura hispano-indígena, em cinco novelas curtas que, embora se passem em épocas diferentes, são interligadas pelos mitos do povo conquistador e do povo conquistado.
1999: Recebe, no Brasil, o "Prêmio da Latinidade", concedido pelas Academias Brasileira e Francesa de Letras.
 
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