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Os
mexicas, mais conhecidos como astecas, eram um povo guerreiro
que dava muita importância à culinária.
Acreditavam que o homem era a etapa final da cadeia alimentar
dos deuses: as plantas servem de alimento aos animais, os
animais aos homens, logo os homens aos deuses, especialmente
em se tratando de donzelas virgens. Por isso os mexicas gostavam
de um bom sacrifício humano e de uma boa pimenta também.
Com a chegada dos
espanhóis por volta de 1520, tudo mudou, exceto a alimentação
à base de maiz e frijoles. Porém, a comida mexicana
surge formalmente após 1821, ano da consumação
da Independência e da Proclamação da República
Mexicana, em homenagem aos mexicas.
Por volta de 1836
veio a guerra com os Estados Unidos, que abocanharam mais
da metade do território nacional e começa a
sua expansão de cadeias de hambúrgueres e cachorros
quentes. Mesmo assim, o chili con carne sobreviveu no lado
dos yankees.
Depois vieram os
conflitos internos entre conservadores e liberais que culminaram
a invasão da França, supostamente por causa
de uma pastelaria francesa que foi destruída na cidade
do México. Parece que, nela, não se vendiam
tacos e alguém ficou mucho bravo. Na intervenção
francesa, Maximiliano de Habsburgo foi nomeado Imperador do
México em 1864. Só que o povo não gostou
da comida francesa e o imperador acabou fuzilado.
A cozinha mexicana
sobreviveu à ditadura de Porfírio Días,
que durou de 1884 a 1911. O erro do ditador foi se indispor
com os EUA. Ele já dizia: "México, tão
longe de Deus e tão perto dos Estados Unidos",
e não era pela comida, pois no céu não
se come. A revolução mexicana, que começou
em 1910. com Madero, Pancho Villa, Zapata e outors, deu fim
a sua ditadura. E a culinária popular consolidou sua
predominância nos comícios políticos.
Francisco Madero foi eleito presidente. Sua frase favorita
era "o povo não quer pão, quer democracia".
Só que além de pão, queria tacos e tequila.
uma paixão nacional. Sem apoio popular, sofreu um golpe
de estado de um militar da ex-ditadura e foi assassinado.
Os revolucionários
não gostaram e, chefiados por Venustiano Carranza,
mandaram bala de novo. Carranza foi presidente de 1917 a 1920.
A coisa meio que desandou. Virou uma salada de guacamole.
Ninguém mais sabia quem estava do lado de quem. Os
Flores Magón queriam fundar uma República Anarquista,
só que foram convidados a fundar sua República
no além. Zapata morreu numa emboscada feito queijo
gruyère e Pancho Villa foi assassinado em "tempos
de paz", supostamente por não querer fazer um
anúncio para a Coca-Cola, somente bebia mezcal, ou
talvez só comesse a larva que vem dentro da garrafa.
O próprio Carranza morreu assassinado, e dizem que
por Obregón, eleito presidente em 1920.
O lema da revolução
era "Terra para quem nela trabalha, não reeleição".
Obregón quis mudar a vírgula para depois do
"não". Após ser reeleito, um fundamentalista
revolucionário deu-lhe um tiro de graça durante
o saboroso jantar de comemoração. Desta vez
a culpa não foi da pimenta. Segundo os boatos, o mandante
foi Calles que assumiu a presidência em 1924. Este não
quis se reeleger, foi mais esperto e fundou o Partido da Revolução
Mexicana (PRM) que depois com Cárdenas (presidente
de 1934 a 1940), virou Partido Revolucionária Institucional
(PRI), no poder até o ano de 2000. Foram tempos de
estabilidade. A indústria de tequila prosperou, a cozinha
mexicana de diversificou. Além dos tacos, vieram, os
burritos, as flautas, a chuleta norteña e até
o chili con carne. Tudo com muita salsa, guacamole e frijoles.
Até o efeito tequila se internacionalizou! |