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Regiões e Influências | História da Pimenta | História do Milho | História do Chocolate | Tequila e Mezcal  « Voltar    
 
       O México pode ser considerado um paraíso para a gastronomia. Dotados de extrema criatividade, os mexicanos adoram comer. E qualquer mexicano entende de comida e tem seu segredinho para qualquer prato.
       A cozinha mexicana consegue aliar sabores fortes e infinitas combinações de ingredientes de maneira simples. Isso tudo é resultado da influência de nações indígenas milenares como os astecas e maias, associadas a novos ingredientes e técnicas trazidas por colonizadores europeus no século XVI.
       Em cada esquina do México você pode encontrar um tipo de "Antojito" (aperitivo) pronto, para matar a fome. O mexicano tem 3 refeições básicas no dia:
 » Café-da-manhã: substancial, com muitas frutas, pães doces, carnes e muitas tortilhas (consideradas o pão do México).
» Merienda: (refeição mais farta do dia, entre 14:00 e 17:30): Composta por cinco pratos: sopa leve, prato principal de carne branca ou vermelha com vegetais, uma porção de Frijoles ou feijões e a sobremesa.
» Ceia (ou jantar): É uma refeição mais leve, com pão, Tamales, compotas, sanduíches, fatias de presunto, salsas e Gorditas.
       A base da culinária mexicana é o milho. Dele são feitas as Tortilhas que originaram os Burritos, Tacos, Enchiladas, Fajitas, Tostadas, Chimichangas, Flautas, Quesadilhas e Nachos. As tortilhas podem ser servidas quentes, frias, fritas ou tostadas. Em muitos casos são usadas como talher adicional ou até como veículos para que possa-se comer carnes, feijões, etc... de maneira rápida e prática.
       Um fator decisivo na culinária mexicana são as cores, presentes não só na montagem dos pratos como na mesa e em ambientes, sem parcimônia.
       O mexicano, além de se alimentar de maneira saudável e completa pratica a Sesta, tradicional "cochilo" após a hora do almoço. Estudos já provaram que o hábito da Sesta aumenta a produtividade e a capacidade de atenção.

 
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       Podemos considerar o embate com os espanhóis um marco na culinária mexicana. Os Espanhóis trouxeram as hortaliças, a canela, a cebola branca e carne de porco (responsável pela introdução da fritura na cozinha mexicana). A colônia mexicana surpreendeu o paladar do colonizador europeu com as nuances picantes dos Chillis. Apesar da grande extensão de fronteiras não houve grande troca de influências culinárias entre México e Estados Unidos.
 
Região Norte e Centro-Norte
Devido a intensa criação bovina, a carne é o ingrediente principal de muitos pratos.
 
Águas Callientes, Colima e Jalisco
Marcados por comidas ritualísticas como as Cavaleraz de Azucar e o Pan des Muertos (em comemoração ao Dia dos Mortos). São Estados de intensa atividade pesqueira.
 
Região Central, Guanajuato, Michoacán e Querítaro
São consumidas grandes variedades de feijão e chilli preparados de diversas formas.
 
Vera Cruz e Tabasco
Situadas na porção central do golfo mexicano, são duas das áreas mais produtivas do país, onde são cultivados: cana-de-açucar, cacau, café, milho, alho, chilli, arroz, tomate e tabaco. Além disso há criação de gado e intensa atividade pesqueira.
 
Guerrero, Oaxaca e Chiapas
A Pozole ou sopa à base de carne e milho é o prato preferido desta região. Também há o gosto da população por um inseto chamado Jumil e pelas carnes de coelho, veado, codorna e iguana.
 
Península de Yucatán
A culinária atual desta região é abundante em frutas, animais silvestres, hortaliças e tubérculos, herança da cultura indígena. Dos espanhóis temos o gosto pela carne preparada com vinho e pelos embutidos
 
Hidalgo, Tlaxaca e Puebla
Estes estados produzem o Maguey, cactus que é 100% aproveitado na manufatura de alimentos, bebida, roupa e papel. De uma variedade desta planta, o Agave Azul, é feita a Tequila. Em Puebla nasceu o mole poblano e os chiles em nogada, dois pratos mais tradicionais da cozinha mexicana.

 
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       As pimentas são originarias das Américas e foi no tempo do Descobrimento que elas foram introduzidas no resto do mundo.
       Os pontos "quentes" no mundo das comidas picantes são: México, Guatemala, a maior parte do Caribe e África, parte da América do Sul, Índia, Indonesia, Malásia, Coréia, Tailândia, sudoeste da China, os Balcãs e América do Norte.
       As pimentas pertencem ao gênero Capsicum, da mesma família da batata, tabaco, petúnia, entre outras. Seu nome varia muito em cada lugar onde é cultivada e a mesma planta pode receber vários nomes .
       Do dialeto Nahuatl do idioma Asteca, surgiu o nome Chiltepin. Este era o nome dado a uma das variedades conhecidas de pimentas mais antigas. Acredita-se que o nome é uma união das palavras Chile e Tecpintl e sua combinação traduz-se: "chile pulga" que é atribuída ao gosto picante da pimenta chile. Através dos tempos o nome foi sofrendo alterações do nome original: chile + tecpintl para chiltecping, chiltepin e chilepiquin.
       As pimentas parecem ter surgido a 7.000 anos a.C. na região do México Central. O primeiro europeu a descobrir foi Cristovão Colombo em uma das suas viagens para a América em 1493, quando procurava uma fonte alternativa de pimenta preta, condimento favorito na Europa na época. Após um século, as pimentas vermelhas tinham se espalhado por todos os continentes.
       A pimenta vermelha é nativa do Hemisfério Ocidental e provavelmente evoluiu de uma forma ancestral na região da Bolívia e Peru. As primeiras pimentas consumidas foram coletadas provavelmente de plantas selvagens. Aparentemente os índios já cultivavam pimentas entre 5.200 e 3.400 a.C., o que coloca as pimentas entre as plantas cultivadas mais antigas das Américas.
       Não é exatamente conhecido quando foram introduzidas as pimentas no Novo México. Elas podem ter sido usadas pelos nativos indígenas como um medicamento, uma prática comum entre os Maias. Até que o espanhol chegasse no México, os fazendeiros Astecas já tinham desenvolvido dúzias de variedades.
       Sem dúvida, estas pimentas foram as precursoras do grande número de variedades achadas hoje no México. Se foram comercializadas pimentas nos pueblos de Novo México ainda não está claro. Porém as pimentas são cultivadas no Novo México durante pelo menos quatro séculos.
 
       São um alimento extremamente nutritivo. Contém vitamina A, B e C além de quantidade significante de magnésio, ferro e aminoácidos. O Ácido Fólico e o Betacaroteno presentes nas pimentas tem poderes anti-cancerígenos.
       As pimentas aumentam a taxa metabólica do organismo e este efeito térmico faz com que aproximadamente 6 gramas de pimenta queimem cerca de 45 calorias.
       Cores e sabores fortes estão intimamente ligados. Pimentas vermelho vivo são superiores em sabor que as verdes. Além disso tudo, toda pimenta muda de cor de acordo com sua maturação, indo do verde para outra matiz, principalmente o vermelho.
       A Capsaina presente na pimenta protege a mucosa contra os danos causados por álcool, estimula a salivação e limpa os dentes, garantindo gengivas fortes e sadias.
       As pimentas realçam o sabor dos alimentos e, dependendo do prato, deve-se diferenciar a variedade para combinar o sabor e o ardume. A ardência da pimenta, única no reino vegetal, resulta da presença de um grupo de alcalóides específicos.
       Pimenta de "sino" (bell) ou pimenta doce, geralmente refere-se às pimentas não picantes ou pouco picantes, de aspecto maciço (pimentão), enquanto a pimenta Chile significa as variedades de pimentas ardentes ou quentes.
       Depois do sal, é o condimento mais utilizado no mundo e encontrado em quase todos os lugares atualmente.
       Dentre suas propriedades terapêuticas podemos destacar ser um antibiótico natural e ter propriedades cicatrizantes.
   
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       Consumido pelos povos americanos desde o ano 5 mil a.C., o milho foi a alimentação básica de várias civilizações importantes ao longo dos séculos. Os Maias, Astecas e Incas reverenciavam o cereal na arte e religião e grande parte de suas atividades diárias eram ligadas ao seu cultivo.
       Com a descoberta da América e as grandes navegações do século XVI, a cultura do milho expandiu-se para outras partes do mundo. Atualmente é plantado e colhido em todas as superfícies aptas para a agricultura neste planeta. Até 500 anos atrás, seu uso estava restrito às regiões da América começando do Chile até o Canadá.
       Os vestígios mais antigos do milho, encontrados na região do México e América Central, datam de cerca de sete mil anos. Desta mesma região provém a palavra milho, que significa "sustento da vida".
       Por volta de 5 mil a.C., os mexicanos primitivos começaram a cultivar os produtos que costumavam coletar, dentre eles o milho, de múltiplos usos. Quando seco, esse cereal se conservava indefinidamente, o que era de vital importância numa terra em que o solo e o clima tornavam a agricultura muito irregular. Do milho macerado e moído obtinham uma massa que servia para fazer pequenos bolos (tortilla, que em espanhol siginifica pequeno bolo). À medida que o desenvolvimento das técnicas de cultivo e o aprimoramento das espécies ampliaram a produção do milho, ele se transformou no ceme da civilização mexicana.
       O milho pode ser considerado personagem principal da culinária mexicana, pois dele se fazem as tortillas, base para diversos pratos. Desde tempos remotos, o milho do qual são feitas as tortillas tem sido tanto uma benção como um fator de inibição para o desenvolvimento do México.
       Por um lado, o cultivo do milho favoreceu o assentamento dos índios
pré-hispânicos e permitiu que eles desenvolvessem uma civilização. Mas por outro lado inibiu o interesse por cultivar outras coisas. Para o mexicano, o milho é uma necessidade básica, quase uma obsessão.
 
       Muito energético, o milho traz em sua composição vitaminas A e do complexo B, proteínas, gorduras, carboidratos, cálcio, ferro, fosfóro e amido. As cascas dos grãos são ricas em fibras. Cada 100 gramas do alimento tem cerca de 360 Kcal, sendo 70% de glicídios, 10% de protídeos e 4,5% de lipídeos.
       A ingestão da casca de seus grãos, rica em fibras, é fundamental para a eliminação das toxinas do organismo humano. De fácil digestão, o milho pode ser consumido até por pessoas com problemas digestivos.
 
» Os Incas retiravam açúcar do talo do milho
» No México, os indígenas obtinham uma espécie de mel, extraído dos grãos do    milho
» Os índios fazem uma bebida alcoólica com o milho
» O chá feito com os cabelos da espiga de milho é ótimo para os rins
   
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       A história do chocolate é bastante extensa e muito interessante, tendo passagens em diversos locais do globo. Gostariamos de contar sobre suas origens, na América Central.
       O nome chocolate vem do grego "Theobroma", que quer dizer "alimento dos deuses". O nome "Theobroma", primeiro nome moderno do chocolate, foi criado no século XVIII por um botânico sueco, Carlos Linnaeus, conhecedor da história do chocolate entre os povos antigos.
       Tudo começou há séculos atrás, com as civilizações asteca e maia, mais precisamente, no México e na Guatemala.
       No México, os astecas cultuavam o deus Quetzalcoatl. Ele personifica a sabedoria e o conhecimento e foi quem lhes deu, entre outras coisas, o chocolate. Os astecas acreditavam que Quetzalcoatl trouxera do céu para o povo as sementes de cacau, que também servia como moeda para este povo. Eles festejavam as colheitas, oferecendo às vítimas de sacrifícios taças de chocolate.
       Então um dia, diz a lenda, Quetzalcoatl ficou velho e decidiu abandonar os astecas. Partiu em uma jangada de serpentes para o seu lugar de origem - a Terra do Ouro. Antes de partir, porém, ele prometeu voltar no ano de "um cunho", que ocorria uma vez a cada ciclo de 52 anos no caléndario que ele mesmo criara para os astecas. Enquanto isso, por volta de 600 a.c., os maias, que também conheciam o chocolate, estabeleciam as primeiras plantações de cacau em Yucatan e na Guatemala.
       Considerados importantes comerciantes na América Central, eles aumentaram mais ainda suas riquezas com as colheitas de cacau. Dele se obtinha uma bebida fria e espumante, chamada "Tchocolatl". O valor do cacau também estava em suas sementes. Elas eram as moedas
       Quando Cristovão Colombo chegou à América provou o chocolate e o levou para a Europa. O "Tchocolatl" não era a bebida agradável de hoje. Era bastante amarga e apimentada. As tribos da América Central geralmente o preparavam misturando com vinho ou com um purê de milho fermentado, adicionado com especiarias, pimentão e pimenta. Naquela época, chocolate era reservado apenas aos governantes e soldados, pois acreditava-se que, além de possuir poderes afrodisíacos, ele dava força e vigor àqueles que o bebam.
       Mais tarde foi Cortêz quem pisou naquelas terras e, sem dúvida, ficou muito impressionado com a mística que envolvia o chocolate e mais ainda com o seu uso corrente. Assim, com o intuito de gerar riquezas para o tesouro de seu país, ele estabeleceu uma plantação de cacau para o rei Carlos V, da Espanha. E, como bom negociante, começa a trocar as sementes de cacau por ouro, um metal, indiferente àqueles povos. Os espanhóis aos poucos se acostumavam com o chocolate e, para atenuar o seu amargor, diminuiam a proporção de especiarias e o adoçavam com mel.
       Rapidamente, o chocolate se espalha entre a família real e os nobres da corte espanhola. Daí, para o mundo.

 
 
 
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A Tequila é produzida à partir de uma planta chamada Agave, com folhas longas e aceradas, confundida erroneamente com um cactus. Na realidade esta planta é uma espécie de babosa cuja variação mais nobre é o Agave Azul.
       O nome Tequila deve-se ao fato de que, nos séculos XVIII e XIX a qualidade da bebida duplamente destilada que era produzida nos arredores da cidade de Tequila, na província de Jalisco, mostrou-se superior à das outras regiões.
       O Agave leva uma média de até 12 anos para ficar maduro, quando então é colhido e cozido para criar um licor rico em açúcar. Este licor é fermentado e duplamente destilado.
       O sabor e o aroma de uma boa tequila devem ser herbáceo e com um toque de especiarias. Sua textura é um pouco oleosa. As categorias da tequila devem-se a seu tempo de maturação e envelhecimento, podendo ser Silver, Reposado, Gold e Anejo. As tequilas não devem envelhecer por mais de 10 anos ou tornam-se amargas.
       Outro destilado similar produzido fora da região de Tequila é o Mezcal, que pode ser considerado o avô da Tequila. Destilado uma única vez, é uma bebida mais rústica e áspera. Por não estar dentro da NOM (Norma Mexicana de Qualidade) não precisa ser produzido à partir do Agave Azul e nem dentro da área delimitada para a tequila. Boa parte de sua produção encontra-se no estado de Oaxaca.
       O Mezcal ganhou notoriedade por trazer dentro de sua garrafa a larva de um Gusano, inseto que desenvolve-se no meio das plantas do Agave. Esta larva é um bom indicador do teor alcoólico da bebida pois, mantém-se intacta se submetida a um determinado nível de teor e, se abaixo dele, ela se desintegra.
       Há uma lenda que o homem que ingerí-la na dose final da garrafa irá acrescentar uma carga de coragem à sua masculinidade.
   
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